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fotos e grafias / elidaoliveira

Posted by Elida on Sep 29, '06 10:01 PM for everyone


A poluição ambiental está em pauta nas discussões internacionais. Efeito Estufa e Protocolo de Kyoto são assuntos que já nos habituamos a ver nos noticiários. Há como reverter esse resquício de urbanidade? Em busca da resposta a essa e outras questões, a Revista Pólis atravessou a cortina de fumaça que há entre as alternativas para esse problema e nós, meros cidadãos comuns.


O crescimento das cidades não tem como desassociar-se da poluição ambiental. São indústrias, carros, ônibus – tudo aumentando proporcionalmente. Só em Curitiba, por exemplo, a frota de veículos aumentou em 46% nos últimos cinco anos, segundo estatísticas do DETRAN/PR. Hoje temos na capital paranaense 1,95 veículos por habitante. Um dado alarmante se pensarmos em toda a fumaça negra que sai desses veículos.

Propostas
A legislação nacional ainda não prevê o uso obrigatório de catalisadores nos carros, mas aprovou uma lei que pode aliviar os pulmões mais sensíveis. Desde 13 de Janeiro de 2005 a lei 11.097 estabelece que seja adicionado, gradualmente, um percentual de combustível alternativo ao comum. É o biocombustível – uma mistura de óleo vegetal ao diesel ou à gasolina que diminuiria o despejo de fumaça dos escapamentos. “A redução da poluição atmosférica é de 16% a 25% comprovadamente”, afirma Samanta Pineda, advogada socioambiental.

Para testar essa nova alternativa, a prefeitura de Curitiba utilizou durante 20 dias um tipo de biocombustível em uma linha de ônibus da cidade. A ocasião? Os eventos internacionais para discutir biossegurança e biodiversidade, o COP-8 e o MOP-3. Nada mal para uma Capital Ecológica.

O meio ambiente agradeceu, mas os cofres públicos suaram para fazer bonito aos visitantes. Apesar de haver uma lei implementando o uso dessa alternativa energética, poucas são as empresas que a disponibilizam comercialmente. “Tivemos que mandar vir do Piauí tudo o que foi utilizado aqui em Curitiba, porque lá tem uma empresa que comercializa e é vistoriada pelos órgãos competentes”, diz Élcio Luiz Karas, gerente de vistoria e cadastro do transporte coletivo de Curitiba.

Problemas
Além da distância entre cidades produtoras e consumidoras de biodiesel, outras questões envolvem o tema. “As montadoras de automóveis não fornecem garantia aos motores que usem biodiesel em uma mistura acima de 2%”, alerta Karas. A lei 11.097/05 estabelece que seja adicionado ao combustível nacional até 5% em 2013.

Óleo de que?
A ampla gama de oleogenosas (plantas das quais podem ser produzidos biocombustíveis) é outro empecilho. Segundo a advogada socioambiental Samanta Pineda seria necessária uma lei que regulamentasse a composição do biocombustível, para que assim o consumidor se sentisse protegido. “Eu acho realmente meio arriscado liberar completamente o uso do biodiesel mas eu acho (sic) que pode ser um processo mais rápido”, opina. Para Samanta, políticas públicas de incentivo à pesquisa poderiam acelerar o processo de implantação da lei e elevar a porcentagem de biocombustível na gasolina. E sugere parcerias: “direciona um fundo da Petrobrás para envolver em pesquisas com biodiesel nos estados que ela tem refinaria, por exemplo. Assim teríamos avanços sociais e ambientais ao mesmo tempo.”

Outras propostas
Enquanto não se regulamenta o tipo de combustível que será usado, o inventor Isac Gonçalves Ribeiro tem uma boa proposta. Ele desenvolveu um filtro retentor de partículas emitidas pelos veículos – uma espécie de catalisador melhorado. No protótipo de Isac, a fumaça do carro sairia limpa. A Carta Patente foi concedida em 2002 e agora, segundo Isac, só falta certificar e colocar na prática. O custo da invenção seria variável de veículo para veículo, podendo-se calcular como o equivalente a um cano de descarga e um silenciador. Nos testes, Isac rodou 45 mil quilômetros e concluiu que o sistema retém 80% de gás e partículas, além de diminuir o ruído. O inventor diz estar aberto a propostas de comercialização desse protótipo.

Futuro
Enquanto nenhuma dessas alternativas é posta em prática, resta-nos deixar o carro em casa e optar por uma viagem de ônibus pela cidade. O tempo de espera pelo transporte pode ser aproveitado com a leitura de um livro ou um bom papo com aquele vizinho que você acabou de conhecer.

Box

Biocombustível
Pela definição da Legislação Brasileira, biocombustível é um combustível renovável derivado de óleos vegetais, como girassol, mamona, soja, etc. Pode ser desenvolvido também com gorduras animais. É aplicado a motores a diesel, em qualquer concentração de mistura, podendo ainda ser usado puro. Entretanto as misturas em proporções volumétricas entre 5% e 20% são as mais usuais. Para a mistura B5 (5% de biocombustível), não é necessário nenhuma adaptação dos motores. Como se trata de uma energia limpa resulta, quando comparado com a queima do diesel mineral, numa redução substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados.



*Matéria sobre poluição atmosférica feita para a Revista Pólis, produzida por alunos do 6o. Período de Jornalismo da PUCPR (2006). A proposta dessa revista era tratar a relação do homem com a cidade. Reportagem concluída em Junho de 2006.

Fotos de Élida Oliveira.
Texto de Kelly Mascarenhas e Élida Oliveira.
Diagramação de Carolina Nascimento.

(((veja as imagens no album de fotos desse blog http:\\ellidha.multiply.com/photos/album/18 ))))


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