A poluição ambiental está em pauta nas
discussões internacionais. Efeito Estufa e Protocolo de Kyoto são assuntos que
já nos habituamos a ver nos noticiários. Há como reverter esse resquício de
urbanidade? Em busca da resposta a essa e outras questões, a Revista Pólis
atravessou a cortina de fumaça que há entre as alternativas para esse problema
e nós, meros cidadãos comuns.
O crescimento das cidades não tem como desassociar-se
da poluição ambiental. São indústrias, carros, ônibus – tudo aumentando proporcionalmente.
Só em Curitiba, por exemplo, a frota de veículos aumentou em 46% nos últimos
cinco anos, segundo estatísticas do DETRAN/PR. Hoje temos na capital paranaense
1,95 veículos por habitante. Um dado alarmante se pensarmos em toda a fumaça
negra que sai desses veículos.
Propostas
A legislação nacional ainda não prevê o uso
obrigatório de catalisadores nos carros, mas aprovou uma lei que pode aliviar
os pulmões mais sensíveis. Desde 13 de Janeiro de 2005 a lei 11.097 estabelece
que seja adicionado, gradualmente, um percentual de combustível alternativo ao
comum. É o biocombustível – uma mistura de óleo vegetal ao diesel ou à gasolina
que diminuiria o despejo de fumaça dos escapamentos. “A redução da poluição
atmosférica é de 16% a 25% comprovadamente”, afirma Samanta Pineda, advogada
socioambiental.
Para testar essa nova alternativa, a prefeitura de
Curitiba utilizou durante 20 dias um tipo de biocombustível em uma linha de
ônibus da cidade. A ocasião? Os eventos internacionais para discutir biossegurança
e biodiversidade, o COP-8 e o MOP-3. Nada mal para uma Capital Ecológica.
O meio ambiente agradeceu, mas os cofres públicos
suaram para fazer bonito aos visitantes. Apesar de haver uma lei implementando
o uso dessa alternativa energética, poucas são as empresas que a disponibilizam
comercialmente. “Tivemos que mandar vir do Piauí tudo o que foi utilizado aqui
em Curitiba, porque lá tem uma empresa que comercializa e é vistoriada pelos
órgãos competentes”, diz Élcio Luiz Karas, gerente de vistoria e cadastro do
transporte coletivo de Curitiba.
Problemas
Além da distância entre cidades produtoras e
consumidoras de biodiesel, outras questões envolvem o tema. “As montadoras de
automóveis não fornecem garantia aos motores que usem biodiesel em uma mistura
acima de 2%”, alerta Karas. A lei 11.097/05 estabelece que seja adicionado ao
combustível nacional até 5% em 2013.
Óleo de
que?
A ampla gama de oleogenosas (plantas das quais podem
ser produzidos biocombustíveis) é outro empecilho. Segundo a advogada socioambiental
Samanta Pineda seria necessária uma lei que regulamentasse a composição do biocombustível, para
que assim o consumidor se sentisse protegido. “Eu acho realmente meio arriscado
liberar completamente o uso do biodiesel mas eu acho (sic) que pode ser um
processo mais rápido”, opina. Para Samanta, políticas públicas de incentivo à
pesquisa poderiam acelerar o processo de implantação da lei e elevar a
porcentagem de biocombustível na gasolina. E sugere parcerias: “direciona um
fundo da Petrobrás para envolver em pesquisas com biodiesel nos estados que ela
tem refinaria, por exemplo. Assim teríamos avanços sociais e ambientais ao
mesmo tempo.”
Outras
propostas
Enquanto não se regulamenta o tipo de combustível que
será usado, o inventor Isac Gonçalves Ribeiro tem uma boa proposta. Ele
desenvolveu um filtro retentor de partículas emitidas pelos veículos – uma
espécie de catalisador melhorado. No protótipo de Isac, a fumaça do carro
sairia limpa. A Carta Patente foi concedida em 2002 e agora, segundo Isac, só
falta certificar e colocar na prática. O custo da invenção seria variável de
veículo para veículo, podendo-se calcular como o equivalente a um cano de
descarga e um silenciador. Nos testes, Isac rodou 45 mil quilômetros e concluiu
que o sistema retém 80% de gás e partículas, além de diminuir o ruído. O
inventor diz estar aberto a propostas de comercialização desse protótipo.
Futuro
Enquanto nenhuma dessas alternativas é posta em
prática, resta-nos deixar o carro em casa e optar por uma viagem de ônibus pela
cidade. O tempo de espera pelo transporte pode ser aproveitado com a leitura de
um livro ou um bom papo com aquele vizinho que você acabou de conhecer.
Box
Biocombustível
Pela definição da Legislação Brasileira,
biocombustível é um combustível renovável derivado de óleos vegetais, como
girassol, mamona, soja, etc. Pode ser desenvolvido também com gorduras animais.
É aplicado a motores a diesel, em qualquer concentração de mistura, podendo
ainda ser usado puro. Entretanto as misturas em proporções volumétricas entre
5% e 20% são as mais usuais. Para a mistura B5 (5% de biocombustível), não é
necessário nenhuma adaptação dos motores. Como se trata de uma energia limpa
resulta, quando comparado com a queima do diesel mineral, numa redução
substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados.
*Matéria sobre poluição atmosférica feita para a Revista Pólis, produzida por alunos do 6o. Período de Jornalismo da PUCPR (2006). A
proposta dessa revista era tratar a relação do homem com a cidade. Reportagem
concluída em Junho de 2006.
Fotos
de Élida Oliveira.
Texto
de Kelly Mascarenhas e Élida Oliveira.
Diagramação
de Carolina Nascimento.
(((veja as imagens no album de fotos desse blog http:\\ellidha.multiply.com/photos/album/18 ))))